segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O BONECO PERERÊ DA TROPICÁLIA


Além do estandarte, o bloco vai colocar na avenida um boneco tropicalista do Pererê, armado com uma guitarra elétrica em punho. A guitarra elétrica é um dos maiores símbolos do Tropicalismo, porque, na época, até passeata contra ela os Doces Bárbaros baianos tiveram que enfrentar. Mas Caetano Veloso e Gilberto Gil tinham na trincheira Os Mutantes e Os Bit Boys, e aí não teve passeata que conseguiu segurar a modernidade da trupe. E a Tropicália vingou. O boneco do Pererê vem como uma espécie de mutante do novo tempo, tocando o “Carnaval da Tropicália do Pererê”: É proibido proibir / É proibido proibir...  

PEÇAS MEMORÁVEIS COMPLEMENTARES


A carapuça – é o adereço principal do bloco, porque não existe Saci Pererê sem carapuça. Quando o Saci Pererê perde a carapuça, perde também a identidade e a magia. E como estamos em pleno ano 2012 do século 21, à carapuça aplicamos uma cabeleira rastafári, inspirado no ex-ministro Gilberto Gil, quando esteve em Macapá em 2007. O vermelho da carapuça faz combinação com o short que tem a mesma cor, até porque o vermelho e o preto são as cores padrão do bloco. E elas naturalmente estão em todas as peças do Carnaval da Tropicália do Pererê.

A máscara - é uma forma de rememorar o primeiro carnaval do Pererê, naquele longínquo 1972, quando, nós, foliões da floresta do meio do mundo (como na letra do frevo-axé-amazônico), saímos pelas ruas e avenidas da cidade pintados de Secos & Molhados. A pintura dos Secos & Molhados era tão original, que a super banda inglesa Kiss a copiou, mas bem depois daquele carnaval inesquecível do Pererê. Portanto, trazer essa imagem quarenta anos depois, é saudosista e altamente cultural. E é o que o bloco mais alegre da cidade vai fazer na segunda-feira de carnaval, abrindo o desfile da primeira noite dos blocos no Sambódromo.

O ABADÁ DO PERERÊ... ABADÁ!?...


O abadá, que não é um abadá  propriamente dito, mas uma túnica ou bata típica das que eram usadas nos anos 1960 e 1970, por artistas, hippies e, sobretudo, jovens admiradores do movimento cultural da época. Um pouco mais folgada que a camisa tradicional e de mangas ¾. O tecido leve para maior comodidade do folião, e as estampas de confetes e serpentinas com a imagem do Saci Pererê, de cabelo rastafári, ostentando um estandarte inspirado na obra de arte criada pelo artista plástico Hélio Oiticica – o famoso e polêmico estandarte tropicalista com o bandido cara-de-cavalo estatelado no chão, morto pela polícia da época, e a provocante frase: “Seja marginal, seja herói”. Nesses tempos de liberdade e alegria, alegria, o estandarte trás o nome do enredo do bloco “Carnaval da Tropicália do Pererê 40 Anos”. O short vermelho com uma perna mais curta que a outra para fazer menção ao personagem inspirador do bloco, o moleque saci tropicalista amazônico.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

AVE, WANDO!



Aroldo Pedrosa 

Wando, bom compositor, reconhecido inclusive por Caetano, que gravou "Moça" lindamente, como fez anteriormente com "Sonhos" e "Sozinho", do Peninha, e depois "Você não me ensinou a te esquecer", do Fernando Mendes. Fiz uma entrevista com o Wando, no início dos anos 80 - se não me falha a memória -, para a TV Itaituba (a emissora de TV pioneira daquela cidade), quando morei por lá. E o papo foi da maior importância. Lembro também quando Wando compôs "Moça", ao vivo, num programa da TV Tupi. Eu era muito moço, estudante em Belém, e a canção ganhou a competição da TV na época. E as calcinhas que as mulheres enlouquecidas arrancavam do corpo e atiravam ao palco? É bastante compreensível a Rede Globo (a mídia em geral) se curvar ao artista popular quando parte para nunca mais. Mas fica a memória do artista. No "Lado B da Tropicália", canto "Moça". Como na canção de Caetano: "Findaste o teu desenho". Valeu. Ave, Wando!

MOÇA  
Wando
Moça me espere amanhã
Levo o meu coração
Pronto pra te entregar
Moça, moça eu te prometo
Eu me viro do avesso, só pra te abraçar
Moça, sei que já não és pura,
Teu passado é tão forte
Pode até machucar
Moça, dobre as mangas do tempo
Jogue o teu sentimento
Todo em minhas mãos

Eu quero me enrolar nos teus cabelos
abraçar teu corpo inteiro,
Morrer de amor, de amor me perder

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SAMBA DE PRIMEIRA NO BOTEQUIM DO SESC

Foi um sucesso o projeto Botequim Especial de ontem no SESC AMAPÁ Centro. O Carnaval da Tropicália do Pererê, com o show DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM, tendo à frente o compositor e cantor Aroldo Pedrosa, acompanhado da banda Vanguarda Amazônica (e que banda, hein?!). O show atingiu em cheio o gosto das pessoas que queriam ouvir a boa música carnavalesca. E o melhor dela foi o que não faltou ontem, com clássicos como: “Disritmia”, do Martinho da Vila, “Festa imodesta”, “Onde o Rio é mais baiano” e “Merda”, de Caetano Veloso; “Incompatibilidade de gênios”, de João Bosco e Aldir Blanc, entre tantos outros grandes clássicos (o repertório inteiro está no post abaixo).  Ganhou quem se fez presente na noite de ontem no SESC Centro, cantando com o artista amapaense o frevo-axé-amazônico “Carnaval da Tropicália do Pererê”, que fechou em ritmo de muita folia o espetáculo.   

domingo, 5 de fevereiro de 2012

PROJETO BOTEQUIM ESPECIAL


Nesta terça-feira – 7 de fevereiro –, no projeto Botequim do SESC AMAPÁ - bem ali no centro da cidade, esquina da Avenida Padre Júlio com a Rua General Rondon -, acontecerá o Carnaval da Tropicália do Pererê, com o show DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM, do compositor-cantor  Aroldo Pedrosa e a banda Vanguarda Amazônica. Haverá exposição de quadros da Tropicália e o pré-lançamento do site www.navegandonavanguarda.com.br. O show está previsto para iniciar às 23h30. Antes, porém, às 21h30, tem a banda Temos Caldo, do João Amorim, que apresentará um repertório de canções inspiradas nos anos 1970. No evento tropicalista, nosso bloco colocará à venda o abadá oficial para o desfile no Sambódromo e sorteará alguns entre os foliões presentes. Não perca!
Abaixo, artigo assinado pelo compositor Aroldo Pedrosa sobre o show DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM.

DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM


Aroldo Pedrosa

No comecinho do mês de dezembro de 2009, quando realizei, no SESC Amapá Centro, o show-manifesto Tropicália na Linha do Equador (foram três apresentações em 2009), nasceu a ideia do projeto DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM – show musical contando um pouco da história do samba, a partir de clássicos que compõem e enriquecem o Universo da Música Popular Brasileira. Clássicos como “A Ordem é Samba” (Jackson do Pandeiro / Severino Ramos), “Disritmia” (Martinho da Vila), “Essa Menina” (Vinicius de Moraes / Toquinho), “Festa Imodesta” (Caetano Veloso), “Pra Ver as Meninas” (Paulinho da Viola), “Vai Passar” (Chico Buarque / Francis Hime) e “Incompatibilidade de Gênios” (João Bosco/ Aldir Blanc), entre outros, cujo repertório está anexo a este projeto.

Cantar um pouco desse universo me vem pela história que o Amapá tem com a cultura negra. Afinal, o batuque e o marabaixo são as nossas mais nobres e expressivas manifestações culturais e - o que é mais importante – são oriundas também da mãe-África, tendo, portanto, irmandade com o samba. E foi buscando e encontrando explicações para a origem de tudo isso que aumentou mais ainda o meu entusiasmo de produzir DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM.                   

O Amapá tem tradição de samba. Basta ver agremiações carnavalescas como Boêmios do Laguinho e Maracatu da Favela, que já ultrapassam meio século de fundação. Quando o inesquecível carnavalesco Joãosinho Trinta veio ao Amapá, em fins dos anos 1990 a convite do governo do estado para a festa de inauguração do Sambódromo, ele observou isso. São 15 anos só da era Sambódromo, e agora o Carnaval Amapaense ganha do atual governo a Cidade do Samba – evidentemente que esse revezamento se dá pelo fato da Beija-Flor de Nilópolis ter conquistado o bicampeonato do Carnaval do Rio de Janeiro de 2008 com o enredo “Macapaba, Equinócio Solar, Viagens Fantásticas ao Meio do Mundo”, valorizando mais ainda o carnaval do meio do mundo. Então é visando ampliar cada vez mais a ressonância da nobreza do nosso samba que nasce DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM. E para executá-lo convoquei os maiores músicos do Amapá para compor a banda base:

Zé Maria Cruz: direção musical e violão
Israel Cardoso: guitarra
Taronga: baixo
Dilean Monper: teclados
Coca:
bateria
Marcos Martins:
percussão
Metais:
Ronaldo Gomes: trompete
Eder Rodrigues: trombone
Aritiene Dias: Sax
Beck-vocal:
Mayara Braga
Beliza Alfaia
Flávia Rudah

E para que o show tenha caráter coletivo e seja mais dinâmico, convidei artistas como Cléverson Baía, Adail Júnior, Ingrid Sato, Mayara Braga, Belisa Alfaia e Flávia Rudah para interpretarem comigo alguns dos clássicos selecionados e sambas que também compus ao longo desses anos como “Último Enredo”, “Carnaval das Águas no Lugar da Chuva” e o “Carnaval da Tropicália do Pererê”. A atriz Rosa Rente é convidada para fazermos, juntos, a poesia que emana do samba.   

Mas não é só isso. Para o encerramento pensei numa coisa apoteótica como pede, naturalmente, a efervescência do samba. DESDE QUE O SAMBA É SAMBA É ASSIM vai ter uma sequência de sambas-enredos campeões que, para garantir a boa qualidade na execução e interpretação dos mesmos, chamei (o samba - como diria o Paulinho da Viola – chama) a banda base da bateria da LIESA. Esta é convidada mais que especial.

É esta, portanto, a minha proposta para saudar o samba, a História do Samba no Carnaval Amapaense 2012.    


ROTEIRO MUSICAL

01-SAMBA PA TI
Carlos Santana

02-ONDE O RIO É MAIS BAIANO
Caetano Veloso

03-CHARLES, ANJO 45
Jorge Ben

04-A ORDEM É SAMBA
Jackson do Pandeiro / Severino Ramos

05-DISRITMIA
Martinho da Vila

06-FESTA IMODESTA
Caetano Veloso

07-PARA VER AS MENINAS
Paulinho da Viola

08-ESSA MENINA
Vinicius de Moraes / Toquinho

09-INCOMPATIBILIDADE DE GÊNIOS
João Bosco / Aldir Blanc

10-MERDA
Caetano Veloso

11-ÚLTIMO ENREDO
 Aroldo Pedrosa / Joel Elias

12-NÃO DEIXE O SAMBA MORRER
Edson / Aluísio

13-VAI PASSAR
Chico Buarque / Francis Hime

14-ATRÁS DA VERDE-E-ROSA SÓ NÃO VAI QUEM JÁ MORREU
David Corrêa / Paulinho Carvalho / Carlos Sena / Bira Ponto

15-CARNAVAL DA TROPICÁLIA DO PERERÊ
Aroldo Pedrosa / Cléverson Baía